Aprender Design

6 de ago de 2026

Perguntas, Respostas: Carlos Tellez

Aprender Design

Aprender Design

Escola

Quem são os alunos e professores que fazem parte da Aprender Design? Na série “Perguntas, Respostas”, buscamos apresentar as trajetórias e as referências criativas de pessoas que formam a nossa comunidade. 

Conheça Carlos Tellez, Staff Service Designer na Spin e professor do curso Pesquisa Exploratória.

Quando falamos em pesquisa exploratória, do que estamos realmente falando? Como podemos deixar mais claro para as pessoas o que este campo do conhecimento abrange?

Pesquisa exploratória é entender antes de construir. É sair da tela e entrar no mundo das pessoas para descobrir como elas vivem um problema antes de discutir qualquer solução. O mais interessante é que, muitas vezes, a pesquisa não necessariamente só responde a pergunta inicial. Ela mostra que estávamos fazendo a pergunta errada ou revela aquelas que nem nos fizemos. E é aí que começam os projetos mais interessantes.

Muitas equipes ainda começam projetos discutindo soluções antes de entender o problema. Na sua experiência, quais são os riscos de pular essa etapa de investigação?

Quando pulamos a investigação, corremos o risco de construir a solução certa para o problema errado. Pesquisar não deixa o processo mais lento. Pelo contrário. Algumas horas ouvindo usuários podem economizar meses construindo algo que ninguém precisava. Com as ferramentas que temos hoje, rodar uma pesquisa já não é um nice-to-have, é o mínimo necessário.

O curso Pesquisa Exploratória é indicado para designers de produto, UX/UI designers, designers de serviço, gerentes de produto, analistas de negócio, profissionais de CX, marketing e empreendedores. O que todas essas áreas têm em comum quando o assunto é pesquisa?

Todas essas áreas tomam decisões que afetam pessoas. E quanto melhor entendemos essas pessoas, melhores tendem a ser nossas decisões. É por isso que acredito que pesquisa não é uma especialidade. É uma habilidade que qualquer profissional pode desenvolver para trabalhar com mais segurança e menos achismo.

Existe uma ideia de que pesquisar é caro, demorado e só faz sentido em grandes empresas. Como você vê essa percepção? Como profissionais ou equipes menores podem incorporar a pesquisa no dia a dia?

Esse é um dos maiores mitos da nossa área. Você não precisa de um laboratório nem de um orçamento enorme para pesquisar. Às vezes, cinco boas conversas mudam completamente a direção de um projeto. O importante não é fazer pesquisas gigantes. É criar o hábito de aprender continuamente, e alavancar tecnologia para trazer impacto, pois geralmente isso acaba provando a necessidade de rodar Discovery que sejam ágil.

Ao assistir às aulas, percebemos a defesa de que o mais importante não é decorar métodos, mas desenvolver o olhar de pesquisador. Como essa mudança de perspectiva transforma a forma de tomar decisões em projetos?

Métodos podem ser aprendidos. O olhar de pesquisador se desenvolve quando você aprende a observar antes de concluir e testar suas hipóteses através de diversas metodologias. Quando isso acontece, você deixa de procurar confirmações para suas ideias e começa a enxergar oportunidades que antes passavam despercebidas. Essa mudança vale muito mais do que decorar qualquer framework.

A inteligência artificial tem transformado diversas etapas do processo de design. Como ela tem impactado a pesquisa exploratória?

 A IA está tornando a pesquisa muito mais rápida, e isso é ótimo.

Mas velocidade não substitui curiosidade. A IA ajuda a organizar informações e encontrar padrões. O papel do pesquisador continua sendo fazer boas perguntas, interpretar o contexto e transformar descobertas em decisões dentro dos seus times. Essa continua sendo a parte mais humana do trabalho, e a habilidade de influenciar é peça chave disso.

O que os alunos podem esperar da experiência no curso Pesquisa Exploratória? Como você equilibra teoria, prática e aplicação?

Meu objetivo é que os alunos terminem o curso enxergando problemas de um jeito diferente. Claro que vamos falar de métodos e ferramentas, mas sempre conectando tudo a conceitos e racionais que definiram decisões e situações reais de empresas através de cases que tenho acumulado durante a minha carreira, em empresas como Nubank, Rappi, Wise e Spin.


Se você pudesse deixar uma mensagem para profissionais que querem criar produtos, serviços e experiências mais relevantes, qual seria o papel da curiosidade e da pesquisa nesse processo?

Os melhores produtos raramente nascem das melhores respostas. Eles nascem das melhores perguntas. Se eu pudesse deixar uma mensagem para quem está começando, seria essa: nunca perca a curiosidade. Ela é o que transforma pesquisa em descoberta e descoberta em inovação. E, para mim, essa continua sendo a parte mais divertida do design.