Aprender Design

29 de abr de 2026

Perguntas, Respostas: Moisés Ribeiro

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Escola

Quem são os alunos e professores que fazem parte da Aprender Design? Na série “Perguntas, Respostas”, buscamos apresentar as trajetórias e as referências criativas de pessoas que formam a nossa comunidade. 

Conheça Moisés Ribeiro, Sr Designer Manager no Nubank e professor no curso Liderando Times de Design.

Chegar à liderança em design nem sempre é um movimento planejado - muitas vezes, acontece antes mesmo de existir um preparo claro para o papel. Nesta papo, Moisés fala sobre esse percurso: das transições inesperadas aos desafios práticos de liderar pessoas, especialmente em contextos remotos e em constante transformação.

Você construiu sua carreira passando por diferentes contextos e empresas até chegar à liderança em design. O que mais te marcou nessa transição?

O que mais me marcou foi a forma como entrei na liderança, sem planejamento. Na Globo, assumi o papel de um jeito que eu chamo de acidental: de repente estava liderando um time de design sem ter buscado isso ativamente, e sem as ferramentas para fazer bem feito. Esse desconforto foi o que me forçou a buscar intencionalidade, a parar e perguntar “que tipo de líder eu quero ser?” em vez de só reagir ao que aparecia. Acho que essa é a virada mais comum e menos falada na carreira de designers que chegam à liderança.

Ao longo da sua trajetória, quais foram os principais desafios ao assumir um papel de liderança pela primeira vez?

Um dos maiores desafios foi conhecer o time sem nunca ter estado na mesma sala que eles. No QuintoAndar, assumi a liderança de um time de mais de 20 pessoas em plena pandemia, tudo remoto desde o primeiro dia. Não tinha o corredor, o café, o acaso do escritório para criar vínculo. Tive que aprender a construir confiança e entender cada pessoa por uma tela. Isso me forçou a ser muito mais intencional nas 1:1s, nas perguntas, na escuta. Foi difícil, mas moldou muito a forma como eu lidero até hoje.

No curso Liderando Times de Design, é abordada a diferença entre liderança e gestão. Como você enxerga essa distinção na prática do dia a dia?

Gestão é o conjunto de ferramentas: rituais, processos, estrutura. Liderança é outra coisa. É quando as pessoas do seu time entendem que vocês estão trabalhando pelos mesmos objetivos, que você está tão comprometido com o resultado quanto elas. As pessoas sabem que podem contar com você, que você está junto. Você pode ter todos os rituais de gestão no lugar e ainda assim não liderar ninguém. A diferença está na postura, não no cargo.

Muitos designers chegam à liderança sem uma formação em gestão. Quais são os aprendizados ou habilidades que você considera essenciais desenvolver nesse momento de carreira?

Busquei muito em livros, podcasts e, principalmente, em mentores: pessoas em posição de liderança que se interessavam genuinamente em aprender e compartilhar seus dilemas. Esse formato, aliás, é o que a gente tenta replicar no curso. A habilidade que eu mais subestimei foi ter a mente aberta para ampliar o repertório. A gente chega na liderança com uma ideia do que é gerir pessoas, mas as empresas exigem coisas que não são óbvias: filosofia de performance, compensação, como se posicionar diante de decisões que afetam a vida das pessoas. Ninguém te prepara para isso. Quem acha que já sabe o suficiente é quem mais sofre.

Um dos temas do curso é a segurança psicológica dentro dos times. Como você trabalha isso na prática e por que esse aspecto se tornou tão central hoje?

Na prática, trabalho para construir um espaço de confiança individual com cada pessoa do time, nos 1:1s, no dia a dia. O objetivo é que a gente consiga falar sobre o trabalho sem muito filtro, e resolver os problemas de verdade, com as mangas arregaçadas. A ideia é que as pessoas não precisem se proteger antes de falar, mesmo em situações onde há alguma tensão no trabalho. Isso se tornou ainda mais central agora, com o crescimento exponencial da AI, pois tem muita insegurança real no ar sobre o papel do designer, sobre o futuro da profissão. Se o time não se sente seguro para trazer esses medos, eles viram ruído que atrapalha o desempenho e a satisfação em fazer design.

Pensando em quem está dando os primeiros passos rumo à liderança, que conselhos você daria para navegar esse novo papel com mais clareza e confiança?

Duas coisas. A primeira é que liderança em design é pelo design. Não é só gerir pessoas, é estar profundamente conectado à disciplina, ao craft, ao que entrega um bom trabalho de design na ponta. Perder isso é perder o fio da meada.

Segunda: se você está numa posição de liderança, não é acaso. Alguém acreditou e apostou em você para estar ali agora. Isso não é pressão, é âncora. Nos momentos de dúvida, lembre-se disso.