Aprender Design

25 de jul de 2026

Perguntas, Respostas: Jun Ioneda

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Escola

Quem são os alunos e professores que fazem parte da Aprender Design? Na série “Perguntas, Respostas”, buscamos apresentar as trajetórias e as referências criativas de pessoas que formam a nossa comunidade. 

Conheça Jun Ioneda, Artista Gráfico, Diretor e Fundador do Estúdio Barca e professor no curso Direção e Produção de Ilustrações.

Oi, Jun! Para quem está conhecendo o seu trabalho por meio da escola, você pode contar um pouco sobre a sua trajetória? Como a ilustração se tornou a sua linguagem criativa?

Bom, desde que me entendo por gente, sempre gostei de desenhar e criar. Quando cresci, escolhi cursar Design Gráfico, em parte porque parecia uma escolha mais "séria", e em parte porque eu tinha muita curiosidade de entender como poderia usar essas habilidades de forma mais prática. Como acabei deixando a ilustração um pouco de lado nessa época, minha relação com ela ao longo da carreira passou por fases: fui de amar, para odiar, e depois voltar a amar, que é onde estou hoje. Aprender a combinar o lado prático do design e do branding com a minha sensibilidade artística me trouxe muita alegria, além de ferramentas para administrar meu estúdio, o Barca, em equilíbrio com minha carreira como artista independente. Encontrar minha linguagem criativa como artista não foi fácil, principalmente depois de anos trabalhando com projetos encomendados. Mas tudo valeu a pena quando comecei a me enxergar nas minhas próprias criações.

O curso incentiva a experimentação com diferentes técnicas e linguagens visuais. Em uma indústria frequentemente guiada pela velocidade e pela eficiência, por que experimentar ainda é tão importante?

Acho que a experimentação resgata algo muito precioso que vamos deixando para trás conforme crescemos: a capacidade de brincar sem a obrigação de produzir. Somos naturalmente curiosos e, para muitos de nós, a alegria de criar sem a pressão da avaliação foi justamente o que nos levou a seguir essa profissão. Para mim, fazer um esforço consciente para buscar essa alegria é essencial para manter a alma alimentada, mesmo enquanto colocamos nossos talentos a serviço de projetos comerciais. Do ponto de vista prático, experimentar de forma espontânea também nos ajuda a conhecer melhor diferentes ferramentas e técnicas, para depois conseguirmos combiná-las e utilizá-las com propriedade quando estivermos trabalhando em um projeto real que exija uma solução visual interessante.

Quais habilidades você acredita que são essenciais para um ilustrador em 2026?

Ser capaz de comunicar e defender suas escolhas criativas é uma das habilidades mais importantes hoje. A cada dia o mercado se torna mais rápido e mais exigente, não apenas com ilustradores, mas com todos os profissionais criativos envolvidos nos projetos. Entender o que realmente importa nas suas criações e no seu estilo ajuda a proteger o seu trabalho de ser engolido pelas tendências ou por aquilo que o mercado - e seus agentes - acreditam que vai gerar melhores números nos resultados de fim de ano dos seus superiores.


O que ensinar na Aprender Design mais te ensinou ao longo desses últimos anos?

Aprendi que não estamos sozinhos nas dificuldades de ser artista. Gosto de ser muito honesto quando falo sobre as partes difíceis do processo de encontrar minha voz artística, e nunca imaginei quantas histórias parecidas ouviria dos alunos. Isso me deixa até feliz, porque, quando passei pelo momento mais difícil dessa jornada, sentia que estava completamente sozinho e que não tinha ninguém para me orientar. Hoje vejo que ninguém está realmente sozinho, e fico muito contente por termos criado um espaço onde os alunos podem enfrentar esses desafios, construir seus próprios caminhos e trocar experiências.

Seu trabalho envolve tanto criar ilustrações quanto dirigi-las. O que muda quando você passa do papel de ilustrador para o de diretor criativo?

Quando atuo como diretor criativo, a maior parte do meu trabalho é comunicação. Sempre procuro dar feedbacks objetivos em relação ao que o briefing pede ou ao caminho criativo que estamos seguindo. Também preciso mudar minha forma de pensar: em vez de "o que eu faria?", passo a pensar "como isso pode funcionar melhor dentro daquilo que está tentando alcançar?". E isso é bem difícil. Cada pessoa trabalha de um jeito, e respeitar isso já é um desafio para quem também tem sua própria visão do projeto e ainda ilustra. Quando estou no papel de ilustrador, as escolhas acontecem de forma mais natural e o processo costuma ser um pouco mais caótico. Tento manter essa fluidez, mas sem perder a direção.

Como o seu processo muda quando você está trabalhando para uma marca em comparação com um projeto pessoal?

Uma marca tem suas próprias necessidades e objetivos. Quando crio para ela, estou emprestando o meu universo criativo para dialogar com aquilo que ela quer comunicar. É um trabalho criativo, mas também uma relação comercial. Por isso, sempre tento encontrar uma forma de fazer algo um pouco diferente e de incorporar minha visão ao universo da marca de um jeito que respeite os dois lados. Quando crio algo para mim, tudo é um pouco mais divertido, mas também mais intenso. Os meus projetos pessoais significam muito mais para mim e carregam a pressão de representar meus sentimentos mais íntimos para um mundo externo completamente imprevisível - algo que, por natureza, nunca pode ser feito por completo. É assustador e doloroso, mas também é a maior satisfação que posso ter.

Quais tendências você tem observado atualmente na ilustração?

Para mim, a maior tendência é a diversidade estética. De certa forma, já passamos daquela época em que era preciso seguir um estilo específico para conquistar atenção no mercado. Claro que alguns estilos em alta podem gerar mais oportunidades, mas isso costuma durar apenas por um período. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, todo mundo parece querer ser diferente, e eu adoro isso. Nos últimos anos, vi uma enorme variedade de estilos sendo escolhida para grandes projetos comissionados, e isso me deixa muito feliz e otimista em relação ao futuro da nossa profissão.

Seu trabalho dialoga com diversas referências culturais, da ficção científica à cultura visual japonesa. Que referências têm influenciado seu pensamento mais recentemente?

Desde que comecei a desenvolver meu estilo utilizando técnicas de mídia mista, tenho observado fotografia muito mais do que fazia antes. Paralelamente a isso, o trabalho visual do diretor de teatro Robert Wilson tem sido uma grande inspiração para as minhas criações recentes, assim como o horror japonês. Também tenho me interessado bastante por diagramas de patentes e esquemas técnicos.