Aprender Design

11 de jun de 2026

Perguntas, Respostas: Isadora Stevani

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Escola

Quem são os alunos e professores que fazem parte da Aprender Design? Na série “Perguntas, Respostas”, buscamos apresentar as trajetórias e as referências criativas de pessoas que formam a nossa comunidade. 

Conheça Isadora Stevani, Senior Motion Designer de Brand Foundations no Nubank e professora no curso Motion Design para Marcas.

Oi, Isadora! Pode começar nos contando algo que você acredita que te define bem para quem não te conhece? Uma característica, um hobby, uma frase…

Sou motion designer e artista multidisciplinar, mas o que mais me define é gostar de habitar dois extremos ao mesmo tempo: de um lado, estruturar sistemas, processos e metodologias; do outro, criar experiências generativas, experimentais e imprevisíveis. São abordagens aparentemente opostas, e eu adoro transitar entre elas. Grande parte do meu trabalho nasce justamente desse encontro entre controle e acaso.

Pode nos contar um pouco da sua trajetória no Design?

Minha trajetória começou ainda na faculdade, quando entrei como estagiária no Estúdio Tropical, do designer Renan Costa Lima, que até hoje é uma grande referência para mim. Naquela época, o estúdio vivia uma fase muito ligada à produção audiovisual, videoclipes e projetos experimentais, e foi ali que tive meu primeiro contato com motion design.

Eu trabalhava com edição e finalização de vídeo, mas fiquei fascinada pelas possibilidades da animação. Já tinha experiência com edição e colorização, então comecei a estudar por conta própria ferramentas como After Effects e Cinema 4D e, aos poucos, fui migrando para esse universo.

Depois disso passei muitos anos trabalhando como freelancer, colaborando com marcas, artistas, videoclipes e projetos para espaços culturais. Foi um período de muita experimentação e aprendizado, que me permitiu transitar por diferentes linguagens e contextos criativos.

Em 2021 entrei para o Nubank, onde pela primeira vez passei a trabalhar exclusivamente com branding. Hoje faço parte do time de Brand Foundations, responsável por desenvolver e preservar a identidade de movimento da marca em seus diferentes segmentos e espaços, como Ultravioleta, U18 e o Nubank Parque. Costumamos brincar que somos os guardiões da marca e, de certa forma, somos mesmo.

Sua trajetória passou por muitos territórios criativos: cinema, televisão, música, arte, estúdios e branding. Olhando para trás, quais experiências mais moldaram a forma como você pensa movimento hoje?

Acho difícil escolher apenas uma experiência porque cada uma contribuiu de uma forma diferente para a profissional que sou hoje.

Eu me considero uma generalista. Apesar de trabalhar há cinco anos com branding no Nubank, nunca deixei de desenvolver minha prática artística em paralelo. Continuo criando projetos autorais, participando de exposições, festivais e apresentações ao vivo.

O que mais moldou minha forma de pensar movimento foi justamente transitar entre esses universos. No ambiente corporativo aprendo sobre sistemas, consistência e construção de marca. Nos projetos artísticos encontro espaço para experimentação, risco e descoberta. Uma área alimenta a outra constantemente.Estar em movimento, aprendendo e experimentando, é o que me mantém criativamente ativa.


Em que momento da sua trajetória você percebeu que motion não era apenas animação, mas uma ferramenta capaz de comunicar intenção, personalidade e significado?

Eu não sei se houve exatamente um momento de descoberta, porque acho que todos nós percebemos isso intuitivamente desde muito cedo, antes mesmo de saber o que é motion design.

Quando somos crianças, assistimos televisão e cada programa tem uma personalidade própria. As vinhetas, as tipografias, as cores e os movimentos já nos comunicam algo. Alguns programas parecem mais divertidos, outros mais sérios ou misteriosos. A gente sente essas diferenças antes mesmo de conseguir explicá-las.

A primeira vez que pude observar isso de perto foi durante meu estágio na TV Cultura, ainda no primeiro ano da faculdade. Eu trabalhava na produção, mas adorava acompanhar o trabalho dos motion designers na ilha de edição e finalização. Foi ali que entendi que aquelas sensações não aconteciam por acaso: cada programa possuía uma linguagem visual e de movimento própria.

Foi quando comecei a enxergar o motion como uma linguagem capaz de comunicar personalidade, intenção e significado.

Quais referências, dentro ou fora do design, mais alimentam o seu olhar criativo atualmente?

Eu acompanho bastante o trabalho de estúdios como DIA Studio, Koto e Studio Dumbar, que vêm explorando sistemas de motion para marcas de formas muito interessantes.

Mas boa parte das minhas referências vem de fora do branding. Arte contemporânea, arte generativa, instalações audiovisuais e a comunidade de TouchDesigner são fontes constantes de inspiração.

Também acompanho muitos VJs e artistas visuais que criam conteúdos para shows e festivais. Sempre me interessou essa relação entre imagem e música, e inclusive já desenvolvi projeções para apresentações ao vivo.

Muitas marcas ainda tratam o motion como um acabamento do projeto. Por que você acredita que o movimento deveria fazer parte da construção da marca desde o início?

Porque as pessoas não interagem mais com marcas apenas através de imagens estáticas.

Hoje as marcas vivem em aplicativos, redes sociais, vídeos, campanhas, interfaces e experiências digitais. Em praticamente todos esses pontos de contato existe movimento.

Quando o motion é pensado apenas no final do processo, ele normalmente vira um recurso decorativo. Mas quando faz parte da estratégia desde o início, ele ajuda a construir personalidade, comportamento e reconhecimento de marca.

Da mesma forma que uma marca define tipografia, cores, fotografia e tom de voz, ela também deveria definir como se comporta em movimento. Afinal, movimento também comunica. Ele pode transmitir confiança, agilidade, sofisticação, proximidade ou inovação. E quando existe uma linguagem consistente, as pessoas começam a reconhecer a marca mesmo antes de ver seu logo.

O que os alunos podem esperar do curso Motion Design para Marcas?

Quando comecei a criar motion para marcas, tinha muitas dúvidas e não encontrava respostas em lugar nenhum. Eu nunca tinha tido acesso a um guide robusto de motion para entender como esse pensamento era construído.

Com o tempo percebi que saber animar bem não é a mesma coisa que saber construir uma linguagem de movimento para uma marca. São habilidades diferentes.

Esse curso é a resposta que eu gostaria de ter encontrado naquela época. A ideia é que os alunos aprendam a traduzir personalidade em movimento, construir sistemas consistentes e documentar essas decisões de forma clara.

Ao longo do curso, cada aluno vai desenvolver um guia de motion para uma marca real e sair com um processo que possa aplicar no trabalho ou apresentar para clientes.