Aprender Design

11 de set de 2026

Tipografia, memória e repertório: reflexões a partir do Dia Tipo Belém 2026

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Escola

De onde vêm as referências que atravessam o nosso trabalho? Como aquilo que faz parte da nossa história se transforma em repertório? E de que maneira memórias, territórios, pessoas e diferentes formas de fazer aparecem nas criações que colocamos no mundo?

A tipografia também pode ser uma forma de responder a essas perguntas. Entre letras, formas, texturas e modos de produção, ela carrega histórias, identidades e diferentes maneiras de olhar para o mundo. O feito à mão, o refeito, o improviso e até mesmo o caos podem se transformar em linguagem, revelando novas possibilidades para quem cria.

A convite da Aprender Design, Luana Lisboa, designer belenense e aluna da escola, participou do DiaTipo Belém 2026, encontro que reuniu profissionais criativos de diferentes lugares da América Latina em uma programação de palestras, oficinas e conversas sobre tipografia, pluralidade e criatividade.

Além da possibilidade de conhecer novos trabalhos e referências, a experiência trouxe provocações sobre como construímos nosso repertório e sobre a importância de olhar para aquilo que nos cerca para criar de outras formas. Neste texto, Luana compartilha três dos principais insights que levou consigo a partir da experiência no evento.

Experimentar para fazer

Em meio a rotinas caóticas e prazos cada vez mais curtos, pouco tempo sobra para pensar, experimentar e simplesmente fazer. Mas, quando falamos sobre criatividade, um dos principais caminhos é justamente experimentar: testar, errar, refazer e descobrir diferentes possibilidades dentro de um processo criativo.

Esse foi um dos principais insights que tive ao ouvir a palestra “Tipografia Experimental: Pensar e Fazer”, de Leopoldo Leal. Quando experimentamos, podemos nos deparar com camadas, nuances e possibilidades que jamais imaginaríamos encontrar no início do processo.

"Fazer também é pensar. Leva tempo, experimentação, processos a mão e no digital. É pensar com as mãos e colocar essa mão no mundo".

Habitar as memórias

Nossa história e tudo aquilo que nos atravessa também constroem repertório criativo. Ao longo das palestras, pude perceber o quanto nossas memórias podem ser um dos maiores quadros de referência que carregamos - desde as lembranças da infância na nossa cidade natal até as experiências de viver em outro lugar. Tudo isso pode se refletir na maneira como criamos.

Também pude perceber como nós, latino-americanos, somos atravessados por tantas cores, formas, histórias e misturas, e isso também aparece naquilo que produzimos e comunicamos. Uma fala da palestrante Cecilia del Castillo me marcou e me fez refletir sobre minha identificação como latina: "mais é mais".

Porque quanto mais vivemos e experimentamos, mais repertório construímos. E, muitas vezes, o processo de aprendizado pode ser tão, ou até mais, importante do que o resultado final. É sobre lembrar de onde viemos, reconhecer tudo aquilo que nos atravessa e entender que isso também pode se transformar em repertório.

Pluriversidade

Construir uma educação liderada pelas próprias comunidades, entender que o conhecimento pertence ao povo e que devemos criar e compartilhar recursos em nossos próprios idiomas: esses foram ensinamentos que me marcaram na palestra de Juan Villanueva, sobre uma leitura decolonial da história do design.

Toda tipografia e toda criação apontam para uma mensagem. Por isso, precisamos lembrar da nossa história, da nossa voz e daquilo que podemos dizer através do que criamos, pois existe poder naquilo que produzimos.

As tipografias não são neutras, assim como nossas criações também não são. O design é um ato político, e nós podemos ser fomentadores dessa pluriversidade.

O DiaTipo Belém 2026 reforçou valores nos quais acredito: nossa história, de onde viemos, as culturas que nos atravessam e o lugar que ocupamos hoje podem ser o maior repertório para nossas criações.

Acredito em um design mais democrático, plural e consciente do seu papel social e cultural. Um design que reconhece histórias, valoriza diferentes perspectivas e dá espaço para outras vozes e formas de existir.

Criar também é escolher o que queremos contar, quais histórias queremos preservar e quais vozes queremos colocar no mundo. E, para mim, é nesse encontro entre design, cultura, sociedade e memória que a criação ganha ainda mais sentido.

Isso também me lembrou de tantos cursos que já fiz através da Aprender Design, que reforçaram o exercício de pensar, experimentar e produzir design.