Aprender Design

9 de set de 2026

Design que Ecoa: o lado B das capas de discos

Aprender Design

Aprender Design

Escola

Do LP ao streaming, tanto na música quanto no design, o brasileiro continua servindo excelência e inspiração naquilo que toca. A gente tem uma ousadia e criatividade particulares que marcam a nossa arte.

Na música, existem vários projetos gráficos de encartes e capas que geram uma profunda ressonância no nosso imaginário coletivo, seja por seu significado, impacto ou conexão com o público. Neste texto, apresentamos a história por trás de grandes capas produzidas por brasileiros que ainda ecoam na nossa mente.

Rock Doido - Gaby Amarantos (2025)

Direção criativa por Gaby Amarantos e Bruno Pimentel
Fotografia por Cris Vidal
Direção de arte por Lucas Mariano

Em 2025, Gaby Amarantos lançou um álbum visual que se conecta com as suas origens no tecnobrega. A capa do disco apresenta uma aparelhagem típica do Norte, com a estética maximalista que se relaciona com o gênero e uma organização visual que referencia o álbum Dangerous, de Michael Jackson, fazendo jus aos característicos samples do estilo paraense.

Rito de Passá - Mc Tha (2019)

Direção criativa por Vitor Nunes
Fotografia por Jr Franch

Mc Tha ficou conhecida por misturar sons de religiões de matriz africana com os ritmos do funk no seu 1º álbum. Na capa, a artista materializa o sincretismo ao combinar itens da cultura do funk paulista com elementos da umbanda como partes de um mesmo todo. Essa mistura é o que move este trabalho que, apesar de não trazer elementos gráficos, demonstra a intencionalidade visual construída a partir de fundamentos do design - como as cores, os objetos, a composição e a construção da cena.

Índia - Gal Costa (1973)

Fotografia por Antonio Guerreiro 
Projeto gráfico por Edinízio Ribeiro

Gal Costa é um símbolo da Tropicália. O encarte do seu disco de 1973 se inspira no romantismo brasileiro e traz a figura indígena como símbolo da identidade nacional. O close no quadril da cantora pode ser interpretado como um contraponto à malícia do olhar ocidental, que enxerga a nudez como algo proibido e imoral. A capa, que provocou diferentes leituras na época e chegou a ser censurada pela ditadura militar e vendida envelopada em um plástico azul, é uma das mais icônicas da música brasileira.

A Mulher do Fim do Mundo - Elza Soares (2015)

Capa por Elaine Ramos

No álbum de 2015 de Elza Soares, o conceito da capa é tipográfico, sem nenhuma imagem ou desenho. O título do volume se sobressai, em branco sobre o nome da cantora ao fundo. As cores são sóbrias e uniformes, sem efeitos, texturas ou gradientes, o que dialoga com o tom urbano, vanguardista e contestador do projeto.

Confessions II - Madonna (2026)

Direção criativa por Ib Karama
Fotografia por Rafael Pavarott
Direção de arte por Gareth Wrighton 

Na capa de Confessions II, o fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti tinha dois trabalhos: referenciar o 1º volume, de 20 anos, e apresentar a cantora à nova geração. Para isso, o texto se mescla com a imagem de fundo em que a artista aparece sob um véu em cima de uma caixa de som - como uma santa no altar. Sua posição é a mesma da capa do primeiro disco, e o caimento do tecido forma um triângulo rosa que faz referência ao símbolo de resistência do movimento LGBT.

Baile - FBC, Vhoor (2021)

Capa por Raideno

O projeto da parceria entre FBC e Vhoor referencia a cultura do hip-hop e do funk dos anos 90 e 2000. Com conceito totalmente ilustrado, a capa apresenta 9 artes que se conectam e formam um mosaico que une as capas dos singles lançados anteriormente. O estilo da arte e da tipografia que forma o título remete diretamente ao grafite dos meios urbanos.

A música é um tema que atravessa diferentes cursos da escola. Essa relação aparece tanto nos exercícios e projetos desenvolvidos pelos alunos quanto na trajetória de professores que atuam diretamente em projetos para artistas, festivais e outros contextos do universo musical.

No curso Decodificando Identidades, por exemplo, os alunos aprendem a criar sistemas visuais e, como projeto final, desenvolvem a identidade visual de uma playlist. Já no Direção e Produção de Ilustrações, o projeto final parte da criação da capa de um álbum e, mais recentemente, também passa a contemplar o desenvolvimento de um cartaz para um festival. Essa aproximação também está presente em cursos como Direção de Arte, Criação Visual Multidisciplinar e Processo Criativo com IA, que ampliam o repertório e desenvolvem ferramentas que podem ser aplicadas a diferentes linguagens, projetos e segmentos, incluindo a criação visual para o universo da música.

Nas páginas dos cursos, você conhece alguns dos projetos com foco em música desenvolvidos por nossos alunos e descobre um pouco mais sobre as possibilidades de cada um deles.